let your waves crash down on me and take me away

sangue-frio

10/20/2009 · 2 Comentários

Acordo com uma fome voraz, meu coração esqueceu como é pulsar corretamente, acendo o primeiro cigarro do dia e pareço satisfeita com a moleza que ele me trás. Ando de samba-canção pela casa e esqueço da vida, aumento todo o volume da trilha sonora de Pulp Fiction e me enrolo no edredon ainda quente. Paro em frente ao espelho e olho fixamente pro meu rosto e quarto refletindo ali, não sei como eu convivo com tanta bagunça. Meu primeiro impulso sair correndo átras de cocaína, mas isso me atrasa a vida.
Meus pensamentos a mil por hora e eu nem consigo levantar. Ninguém sabe como é difícil pensar nessa velocidade, eu sou capaz de construir mil planos enquanto você termina sua frase. Viro meu pescoço até os estalos gostosos. Termino o meu segundo cigarro, deixo o ededron escorregar pelo corpo até o chão. Entro no chuveiro com dificuldade sento e deixo que a água molhe tudo que encontrar pelo caminho. Não consigo me sentir vivo, esse medo me consome. A música repetindo me faz esquecer do tempo, finalmente lembrei de levantar. Seria bonito ver sangue misturado com essa água nos meus pés.
Me sinto um morto-vivo trancado aqui dentro, eu deveria me vestir e seguir pro meu emprego. Hoje não. Hoje eu quero me sentir vivo, me sentir vivo sem precisar cheirar carreiras a fio, sem espancar a cara de álguem. Vou me permitir testar aquilo que me deixa feliz. Pego meu mp3, visto meus tênis furados e o moletom batido. Me sinto corfortável. Caminho livre olhando pro chão; quando levanto os olhos vejo mil rostos conhecidos e procuro saber o que eles estão pensando, pra onde estão indo. São todo bonecos seguindo suas vidinhas medíocres. Eu também faço isso, qualquer um que viva sob um sistema político acaba virando fantoche. Elas parecem tão satisfeitas, e até felizes. Com suas sacolas cheias de merda e passos apertados pra poder consumir depois de ralarem o dia inteiro.
Depois de desviar mil pés, eu sento e acendo outro cigarro me sentindo pequeno. Devia ter mandado aquela carreira antes de sair de casa, penso inconsolável. É tão destrutivo que se torna poderoso. Eu prefiro me acabar nas próprias mãos do que dilacerar minha vida pra acabar pior que isso.
Esfrego minhas mãos com força e me sinto contorcer enquanto levanto, sigo pra casa. O cheiro do café fresco na cozinha me anima, tomo xícaras. Entro no fusca e rio quando vejo o tecido com estampas espaciais sob o banco de couro, mas com esse calor ele me faz grudar aqui sentado.

Estou olhando ela dançar fixamente, suas mãos deslizam pelo seu corpo perfeito. Os olhos dela sempre fechados e aquela expressão de prazer contínua. Sinto um desejo inconsciente de apertar aquela bunda com toda a minha força. Quero marcar seu pescoço branco com meus dedos, quero sentí-la rebolar contra meu membro, duro só de imaginar.
Peço outra cerveja e uma dose de tequila, ela vai ser minha hoje. Acendo um cigarro enquanto me imagino trançando aquelas pernas nas minhas e por mais que não esteja mais analizando-a dos pés a cabeça, lembro perfeitamente daquele momento em que ela acariciava sua pele perfeita mesmo sob a roupa.
Imagino o fedor daquele quarto, paredes azuis de madeira e fotos da infância na parede. Ela era aquele tipo de garota encantadora, que não deveria parar em lugares como aquele, dançando tão desejável. Confesso que não foi na primeira (nem na segunda( noite que puder tocá-la como queria , levei 6 longos dias. Se ela não tivesse aquele perfume doce que me deixava louco, talvez eu tivesse agarrado outra bunda por aí. Eu queria ela, aquele sorriso inocente, queria guiá-la pelo meu corpo, queria fazê-la tremer, vê-la pedir mais.
Dois dias de orgia e cereal, não havia mais nada puro naquele apartamento e eu quero esgotá-la não quero dividir algo tão bonito com mais ninguém. Não tenho certeza se foram as paredes azuis ou esse aperto no peito, essa sensação de perda. Talvez tenham sido os dois, junto com o meu egoísmo e sangue-frio. Terminei de usá-la, não havia nada que eu não houvesse feito com aquela garota. Lençóis, cama, cadeira, chão, parede, fogão.. Transamos em todos os lugares da casa, e sentir aquele corpo contra a parede foi uma dasminhas melhores experiências, fiz-a rebolar como nunca havia feito antes. Ela precisava de álguem pra mostrar a ela o que era sexo, não aquela coisa papai e mamãe que ela fez com os namoradinhos na escola. Eu queria torná-la poderosa, sexy. E o fiz.
É uma pena tê-la deixado daquele jeito, mas sempre tive tesão em ver o sangue misturado com água. Pensei nisso quando tomei um banho ontem, na água misturando com o sangue. Sentei me na privada aberta e acendi meu beck enquanto via isso acontecer, a pele dela era a mais branca que eu já havia visto. Foi uma cena inesquecível aquela, certamente era do corpo ensaguentado e da água tomando conta de todos os milímetros dele que vou me lembrar daqui alguns anos.
Vesti as luvas que tinha levado dentro da minha mochila, adoro me livrar dos vestígios quando estou chapado. Faço isso com prazer, cuidadosamente limpo cada pedaçinho do banheiro enquanto espero o seu corpo esfriar. Ela era linda, eu sentia vontade de montar nela mesmo ali, caida na banheira sem pulso. Ela ainda deveria estar quente, mas eu não tenho coragem pra isso. Pra tocar em algo tão inocente sem que ela tenha como se defender.
Vou pra cozinha e como mais uma tijela de cereal antes de limpar tudo ali, ligo o mp3 pra não chamar a atenção dos vizinhos. Lembro de como ela se portava, de como gemia baixinho só pra mim ouvir ali encima daquele fogão. Sinto me confortável em saber que ninguém ia sujá-la com sexo depois de hoje. Levo quase 2 horas pra me livrar das possíveis pistas. Escrevo uma carta e jogo encima da cama. Tranco a porta quando saio, desço as escadas correndo e entro na cafeteria logo na esquina. Peço um café e vou para o fusca acender outro beck. Nunca me senti tão grande, tão vivo. Eu não sei se isso acontece com todo mundo, mas odeio quando fumo e sinto remorso. Eu seria capaz de não fazer nada mais de errado se sempre tivesse um beck queimando na minha boca, ele queria que eu virasse uma boa pessoa, ele era meu lado bom. Hoje me permiti não sentir culpado, aquela garota não merecia ser tocada por nenhum filho da puta. Ela era pura, fresca e sorria sinceramente pra mim.
O caminho pra casa fluiu sem eu me dar conta, entrei, e vejo o gato enfurecido, já que eu havia o deixado ali trancado por dias. Abro as portas do armário e sirvo sua tijela até encima de comida, ele parecia feliz depois de enrolar seu corpo magro várias vezes pelas minhas pernas enquanto esperava, guloso. Já eu, queria chocolate. Abri uma caixa e comi sem ver enquanto imaginava ela rebolando na minha cozinha, pena não tê-la comido aqui, as imagens seriam mais claras na minha cabeça. Acendo um cigarro e penso na merda que é comer, perdi totalmente minhas viagens. Termino o cigarro e já levo o beck até meus lábios secos, famintos de fumaça e imaginação.
Assisto o jornal pra saber se não pequei em nada, e não. Eles nem suspeitam quem foi, eu sou muito bom nisso. Apenas uma coisa me intriga, os tubos de ensaio com sangue de cada uma delas no meu congelador. Se algum dia, alguém os encontrar eu estou fodido até a morte; mas não podia ir contra esse fetiche e me livrar deles, não teria recompensa e eu com certeza esquecia de meia dúzia delas.

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giros

11/26/2009 · Deixe um comentário

Sempre tive uma necessidade ridícula de gravar coisas, o que estou fazendo, quando estou fazendo e como vai ser. Essas redes sociais infernais, talvez me façam soar boba. Minha cabeça em giros e necessidades mentais estão me deixando louca.

Tenho coisas por fazer, que tenham também.

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Gatona

11/23/2009 · Deixe um comentário

Ela sabe, que eu deixei de ser quem eu queria pra abraçá-la.
Eu considero que quando estou aqui, nessa cidade, tudo me puxa pra baixo. Graças a ela, eu conheci o Will, eu tive essa oportunidade que estou tendo agora. Talvez eu tenha vindo só pra ficar perto dela, mas a repercurssão disso, foi linda.
Hoje eu vou deixá-la, deixá-la aqui, sem mim.
Ela que tanto me ofendeu nos últimos dias, que me fez chorar de raiva dela e guardar tudo isso dentro de mim. Não sei quando volto a vê-la, e quando voltar, meu irmão vai estar um monstro já.. mas ok
Agora é minha hora, isso não quer dizer que eu te ame menos ou mais. Tu me tem em você, e eu em mim.

Segura as pontas gatona, eu te amo mãe.
E nunca me julgue por isso, por hoje. (L)

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Garoto from hell

11/23/2009 · Deixe um comentário

Meu pequeno, meu menino. Eu não sei quais as palavras certas pra usar, nossos sentimentos nunca foram descritos, e não por preguiça, e sim por cumplicidade. É algo tão nosso, tão gigante e amável!
Eu queria ser uma boa escritora hoje, só por hoje. Pra tu entender o tamanho do meu coração que fica com você. São palavras, veias, arrepior, sorrisos, lágrimas e amor. Eu achava que já tinha amado alguém e hoje, por sua culpa, eu sei o quanto aquilo era sujo. Tu me mostrou o amor real, me mostrou que eu posso ser muito melhor do que qualquer um possa dizer que eu sou.
Eu sei que sou boba, que dou moral demais pra coisas que não precisava. E nesse tempo, onde eu me aproximei tanto de ti.. Eu estou crescendo, me afirmando nas minhas qualidades e trabalhando meus defeitos. Talvez eu não tenha dedicado todo o carinho que precisava por ti, mas você sabe que eu deixaria qualquer coisa, a qualquer instante pra dançar ou morrer contigo.
Eu deveria ter encarnado, me mudado pra merecer ter você. Qualquer face que tu me oferecesse eu poderia tomar como minha por algumas horas, que fossem. Me desculpa se não fui capaz disso, mas de contrário do que sempre fui, contigo fui sincera. Tantas vezes me mostrando fria, me mostrando fechada. Até desafiando a sua lealdade.
Tu é tão perfeito, tão adulto. Nasceu pronto pra encarar qualquer coisa de frente. “Não afrouxo pra nada”. Magro, com a barriga mais linda que eu já vi, os olhos mais profundos, o sorriso mais simétrico. A pele tão acolhedora e o cabelo tão macio. É algo desejável.
E eu temo por isso, a inveja que circula na tua volta. Queria poder dormir todos os dias na tua porta pra garantir que nada de mal nesse mundo te tocasse.
Eu to indo pra minha vida, me garoto. Tu sabe o quanto isso é importante pra mim! Eu preciso disso, isso devolveu o pulsar das minhas veias, o meu sorriso na cara. Eu tenho certeza sobre o que eu estou indo fazer, talvez não dure. Mas não vai ser por falta de entrega minha, eu estou segura disso. Eu estou pensando nas coisas ruins e nas boas, eu estou ciente do que terei que enfrentar e o que vou passar. Também por isso meu amor, eu te digo… Lá vou eu, de coração aberto, mas agora vou tomar conta desse instinto protetor que tenho sobre você, e cuidar de mim.
Vou dormir e acordar de mãos dadas contigo, com o seu coração pulsando dentro de mim.. Agora é a hora de crescer, de usar isso de ‘nunca afrouxar’ que tu tem tanto a meu favor.
Obrigado por tudo o que tu me deu, por tudo que você dedicou a mim, pela lealdade, pela diferença tão clara na sua expressão, pelo seu amor incondicional.
Não preciso de mimimis, como não me esqueça e não vou te esquecer. Isso jamais caberia em palavras, por isso repito e jamais deixarei de SENTIR, que eu sou sua e você é meu. Sofrerei contigo mesmo de longe, te acariciarei todas as noite e fumarei contigo, mesmo de lá. Porque todas as vezes que eu beber, ou o fizer e me calar.. É porque os meus pensamentos vão estar em sincronia com os seus, talvez não na mesma hora, não no mesmo segundo. Já todos os seus pensamentos soltos na sua cama, eu vou pescar. E essa sintonia, tão nossa, tão grande vai ser mil vezes melhor.. Quando eu vier te ver, ou tu for me ver. Pra vermos o quanto evoluímos, o quanto estamos felizes, o quanto vivemos e sorrimos.
Desculpa pelas lágrimas contidas aqui, e obrigado por elas.
És a coisa mais real da minha vida, e isso naão terá mais valor do que esse texto, do que sua barriga e seus cigarros de menta imprestáveis.
Quem te vê assim, tão angelical não sabe do demônio que vive em você. E quem me vê assim, tão diabólica, não sabe do bem que vive em mim. Tu sabe, tu é meu equilíbrio. Sempre repito, minha alma gêmea.

Deixo todo o meu amor em você, e vou preencher esse vazio com o amor que tu tem por mim. Pra não vivermos sozinhos, jamais!

Eu te amo, me desculpa pela distância. Jamais vou me desculpar por ir, é o que eu preciso, pra melhorar, pra você. Vais ver isso de longe, na minha expressão cansada de viagem; na próxima vez que nos abraçaremos tão entregues, como sempre.

Eu te amo, minha putinha, meu garoto demoniaco, destruidor de corações e meu orgulho maior.
Tu sabe, que escrevi com o coração, e mesmo assim não ‘cumpri com o requisitõ’

Forever, and ever baby.

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incoerência coerente

11/21/2009 · Deixe um comentário

É estranho, eu sentia meu coração apertar até a pouco. Agora eu sinto nojo, segurança, um gosto amargo na boca e minhas veias aceleradas. Eu repito isso demais, nessa páginas cansadas, mas isso acontece com a mesma frequência que cito aqui. É uma pressão babaca que alguém sempre planta em mim. E esses remédios infernais, me fazem dormir mais do que eu queria/deveria!
Começei a assistir a série ’skins’, odiei o primeiro ep. Adorei o segundo, cada dia, cada segundo aqui só me ensinam mais sobre o que está por vir. Cassie com seu olhar perdido, não comia nada e totalmente obcessiva por comprimidos. Vivia numa clínica pra pessoas dependentes disso, que não comiam.. Cada vez que chagava em casa sua mãe estava nua posando para o seu pai que fazia pintura até medonhas, ou estavam fodendo sem querer esconder isso de ninguém.
Sabe que eu senti inveja dela? A presença dela não mudava nada no comportamento daquelas pessoas, ela quase gozou pulando numa daquelas camas elásticas alucinantes. Enquanto isso, eu passo as mãos pelo meu corpo, viajando ao som de New Model Army! Sério, algumas pessoas questionam essas coisas, e eu não consigo ser mais sincera. Hoje é o dia de dobrar a dose dos meus remédios, dobrei! To dopada andando pela casa, me batendo nos móveis e cada vez mais egoísta! Feliz por isso, as pessoas só me magoam!
Eu queria/quero viver num mundo paralelo, cumprir com aquilo que eu tenho desejo, me deliciar pela missão terminada! É sentir tesão por ter o que eu quero, de sair da sombra de qualquer pessoa, de agir correto pra ter um orgasmo por ninguém ter o direito de falar um ‘A’ sobre o que eu estou fazendo. Por estar fazendo o que EU quero, e da maneira correta, sem buracos.
‘Rezo’ pra nunca perder o fundamento disso tudo, mesmop que o meu caminho traçe pra outro lugar. Nunca estive tão anciosa, tão feliz. Por pegar os meus desejos com as 2 mãos e projeter tudo isso da sujeira de vocês.
É hora de comprar minha bicicleta, deixar o cabelo armar. Vestir minhas meias soquete e pouco me foder pra você. É comer meu brócolis ou virar meu copo de vodka. Porque agora não tem pra mais ninguém, vou viver em função dos meus desejos, e eles todos giram em torno disso, do que me devolveu essa vontade.

Santos, me espera.

http://www.myspace.com/newmodelarmymyspace

Cachorrinho Bebê

<a

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você.

11/16/2009 · Deixe um comentário

Chega um dia na tua vida que você precisa se tornar você. Essa é a coisa mais difícil, eu sempre vivi como sombra de alguém até um ano átras. Passei uma dor e uma dificuldade do inferno pra aprender a viver sozinha, sem depender da presença de alguém comigo. Aprendi a ser egoísta, que você nasce e morre sozinho não importa o quanto você ame ou faça por alguém.
Eu to aqui hoje, porque eu preciso desabafar. Eu nem tenho conseguido escrever contos ultimamente, cada dia a coisa se torna mais simples e fria pra mim. Eu não gosto de inventar histórinhas, mas preciso de um contexto bom sempre. eu gosto do modo como eu escrevo porque pra mim tudo parece limpo, frio. A sujeira, a maldade nos olhos dos outros e o desapego. É feio, é um mundo feio esse, mas não é por isso que eu vou ser hipócrita a ponto de me fechar e fantasiar atitudes alheias ou minhas mesmo.. É justamente por tudo ser assim, que tudo flui tão duro quando comigo. Eu gosto de pouquíssimas pessoas, e dentre essas tem as que eu dou abertura pra esperarem algo de mim, pra gostarem de mim também. A maior parte das pessoas, eu isolo num canto, nem convivo. Eu não consigo me sentir segura quando sei que alguém depende de mim.. Isso acontece por esse lance de me tornar cada dia mais egoísta. E eu gosto disso.

Eu preciso desabafar pra limpar minha mente, mas eu não sei se consigo descrever o que está dentro dela hoje. Qualquer um pode conseguir o que quiser na vida, você pode se manter daquilo que te prazer e talvez esse prazer se torne falho um dia, mas pra isso você precisa ser bom naquilo que você gosta. Você tem que saber exatamente o porque do gostar daquilo e tornar isso numa dedicação gostosa.
Eu quero te agradecer, por me mostrar isso. É tão difícil pra alguém que não está aqui dentro de mim entender as proporções de algumas coisas, eu sou uma menina do interior com 20 anos e mais tatuagens do que anos de vida. Já passei por tanta coisa, aprendi muitas do jeito mais doloroso. E confesso que eu adoro isso, assim não é algo que venha a ser atraente um dia ou vai me enganar sem perceber. Eu conheço aquilo bem já, mas muita gente me julga por isso. Por viver, por querer sentir as coisas, por correr ao invéz de ficar sentada vendo o mundo girar.
Ele tem uma personalidade forte demais, é cabeça dura e correto ao extremo. Eu tenho esse temperamento também. Eu achei que a nossa convivência seria algo mais difícil. E fluiu tudo tão gostoso! Eu preciso explicar a minha dificuldade em confiar, em me deixar mostrar pra alguém porque esse é meu bem mais valioso, agora ele? Ele tomou isso de mim desde as primeiras palavras, sem ao menos me deixar perceber isso. Me sinto intensamente apaixonada por conhecer alguém tão bonito. A nossa relação talvez pareça uma montanha-russa, tem seus altos e baixos por ser tão sincera. É uma cumplicidade do inferno, é um bate-boca pra defender seus pontos de vista e um calar só quando isso se encaixar.
Ele tem um jeito duro de tratar as pessoas, ele não afrouxa pra nada. E eu tenho orgulho, em apesar de me sentir tão pequena porque com o passar dos anos as pessoas conseguiram implantar isso em mim, ele me mostrar grande. Um degrau pra me alcançar e recuperar o meu fôlego. As palavras dele são as mais macias comigo, a paciência é exemplar e o sorriso é sincero; apesar de serem poucos.
Eu me entreguei por completo, por uma relação até dolorosa com os olhos de fora. Pra mim não! Pra mim ela é toda sincera, cada troca de palavras é um conhecimento valioso. Os gritos e as palavras doces me ensinam demais, e eu encaro tudo isso como sinceridade. Eu gosto quando ele grita, quando ele faz cara feia ou puxa minhas orelhas. E eu amo quando ele demostra calma e conforto quando do meu lado. Ele me fez sentir viva, e eu me provei que não é algo passageiro. Que eu quero isso pro resto da minha vida, se um dia eu chegar a ser um pouquinho como ele, eu vou me sentir deus. (haha) E eu não to falando daquele jornalista, formador de opinião e ótimo escritor. Eu to falando da dosagem de carinho e doçura com uma postura arrogante quando preciso. Eu quero isso pra mim!
Mil baladinhas góticas me esperam, e acredite que vais comer panelas e panelas de arroz ruim. Isso que tu cativou em mim, é muito mais do que um emprego, uma vida nova ou seja lá o que pensem. O que tu deixa pra mim, é de um valor tremendo. É alguém que vai estar comigo pra sempre, é alguém que eu quero fazer sorrir, fazer sentir que pode me dizer o que quiser, que eu vou absorver aquilo como tu precisa que seja. E respeitando as minhas vontades, os meus limites, a minha lerdeza em algumas coisas e pressa pra outras.
Obrigado por existir na minha vida, desse jeito tão forte. Não cabe a mim dizer o quanto isso tudo foi rápido e forte. Tu já é um amor na minha vida, um amor que eu vou fazer valer a cada dia que passar.

http://www.myspace.com/newmodelarmymyspace

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carnívoro (a)

11/12/2009 · 3 Comentários

Passo os dedos pela boca enquanto escuto as músicas mais ‘transáveis’ do mundo ok. Tô eu aqui, pensando na relação que as pessoas tem com o sexo, eu sei o que algumas pessoas me dizem sobre isso, mas não confio nisso. É ironico demais, palavras vazias não tem chance contra olhos vazios. É triste olhar nos olhos de alguém não faz a menor idéia do que é ser carnívoro. E antes de tu chegar no auge da coisa, tu passa por isso ok.
Essa sensação que consome, que corrompe. Eu tenho a sensação de que 70% das pessoas que eu conheço encaram sexo como colocar um pedaço de maça gelada grande demais na boca e mastigam o mais rápido possível pra que tudo seja engolido e o caroço jogado fora. Elas não transmitem vida, não sabem usar do gosto, to cheiro, do toque e os sons. As luzes quase apagadas, Placebo no último volume e um par de algemas talvez dispertassem a selvageria, por instinto, necessidade. Por prazer.
Quando tu descobre o sexo, eu tô falando de sexo, não do teu primeiro namorado besta aquele que queima, que machuca. Quando tu descobre só quer fazer; não importa como seja, tudo flui. Um dia cansa dessa mesmisse e decide morder, arranhar, machucar porque essa postura te faz sentir segura, sexy.
Tá, depois da selvageria, tu aprende como é trepar com o perdão da palavra, mas é tão violento que se adequa. Sabe toda essa porra de transar inconsciente, sujo. Gemer devagar e usar de todo o corpo pra atingir prazer. É um suspiro intenso, lento, sofrido. A pele quente se torna suja, vazia. Agora os movimentos soam cada vez mais gostosos, eles vem em ondas de veias acelerando, de disparos arítmicos do seu coração. A intensidade nunca é a mesma, o calor e o desapego. O auto-controle falho, fode de vez enquanto o teu corpo escorrega, se entrega num desce e sobre cabuloso. Os sons não estão treinados pra reagirem ao prazer misericordioso, sempre tão desgovernados. A boca livre decora os milímetros, pressiona com força desatenta. Os dentes roçam pedindo mais, arrepiam e maltratam. Enquanto os corpos pulsionam, um pra dentro do outro numa ligação tão íntima e solta. Tão desgovernada e firme, que ao sentir aquelas unhas machucando as suas costas, acaba por aguçar todos os sentidos. Todos explodem e trêmulos buscam a lógica, tão acelerada e nua. A carne exposta sedenta se ajusta aos músculos, aos orgãos excitados que lentamente se encaixam exaustos. Quando o ar preenche os seus pulmões e fecha aquele zíper até o pescoço, você sente a maior segurança do mundo, aquela paz inabalável dentro do seu vestido vermelho. Encara sua expressão detalhadamente, entregue a ela, enquanto termina de passar o batom nos seus lábios molhados, talvez de pecado. Aquela vadia arrasadora se guarda, enquanto as buchechas tingidas em cor-de-rosa soam inocentes. Os meus olhos fixam naquele corpo marcado de violência, se despedem com pesar. Trago o cigarro com força e piso firme pra nunca mais voltar.

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Porque Smashing Pumpkins?

11/09/2009 · 1 Comentário

Smashing_Pumpkins

Tudo começou com uma reclamação minha sobre o Strung Out e seu CD lançado esse ano, o ‘Agents Of The Underground’. Particularmente adorei o instrumental, já as letras me deixaram totalmente desiludida, sérinho. Queria postar no meu fotolog, algo referente ao Strung Out mas sem citar o nome da banda ou das letras; eu gosto de testar as pessoas que comentam lá. Elas realmente sabem do que eu estou falando ou são um monte de merda comentando ‘bonita a foto’!? Então começei a prestar atenção nas letras, buscando algo que coubesse lá. E sabe o que aconteceu? Todas as letras de merda falavam sobre amor, sobre saudade e essa coisa toda corna de ser. Larguei mão.
Aí eu lembrei de uma banda que eu sempre ouvi falar, sempre bem. Então abri o youtube e digitei lá: “Smashing Pumpkins”, uma música estranha, com um cara parecidinho com o Voldemort do Harry Potter aparece lá, se mechendo de um jeito estranho. Enfim, já tinha visto algumas coisas, mas não tinha dedicado meu tempinho pra eles. E olha que sou saidinha no assunto ok Aí eu pergunto pra ele, e ele diz: “É a melhor banda do mundo!” E agora, eu não acho isso. Porque será que ele pensa isso?

Então, vamos á wikipédia pra escrever esse nosso primeiro parágrafo ok:
Smashing Pumpkins é uma banda de ‘rock alternativo’, que surgiu nem Chicago em 1987. Teve várias formações mas a maior parte dos álbuns são assinados por: Billy Corgan (vocais, guitarra), James Iha (guitarra, vocais), D’arcy Wretzky (baixo, vocais) e Jimmy Chamberlin (bateria, percussão). As grandes ambições musicais e letras catárticas de Billy, moldaram as canções e álbuns da banda, que têm sido descritos como “angustiados, relatos da terra de pesadelos de Billy Corgan.” blábláblá blá
Vamos parar de tititi e por as cartas na mesa, #adoro. Porque eu to perdendo tempo aqui escrevendo sobre uma banda que eu não conhecia até hoje, nunca tive interesse e tem um vocalista totalmente perturbado? E escrevo com prazer, excitada. Como se estivesse atrasada pra pegar o ônibus, os dedinhos batendo forte e o coração agitado. Escuto umas músicas aleatórias no youtube e então chego (me levam) até a “letra mais linda do mundo”, ‘Ava Adore‘. Uma letra que diz descaradamente: “Lovely girl, you’re the beauty in my world. Without you, there aren’t reasons left to find. …
In you I see dirty
In you I count stars
In you I feel so pretty
In you I taste God
In you I feel so hungry
In you I crash cars.”

Eu confesso, tenho um certo apego á esse modo de escrever. Me excita! Enfim, me apaixonei pela letra da música, achei muito forte e bonita ao mesmo tempo. Então fiquei sabendo em que condições o ‘cara esquisito’ escreveu isso… A mãe que ele não conversava á anos morreu, o tecladista morre de overdose, a mulher chuta ele e o baterista sai da banda… Acontece tudo junto e daí sai a letra que virou uma das minhas preferidas assim que prestei atenção, deixo ela aqui embrulhadinha pra vocês:

Aí a figura estranha do Billy tomou uma posição diferente pra mim, inconscientemente. Ele é o máximo, forte e magnífico. E esse disco, o ‘Adore’ de 1998 eu precisava baixar . Afinal a música bonita era só a primeira delas. Billy não toca as músicas desse disco mais, tal disco que por sinal quase não tem bateria, tem muito piano e batidas eletrônicas. Foda-se, baixei do mesmo jeito. Até que ele diz: “Não, não comece por esse, comece por outro.” Depois de 4 resenhas de uma linha cada sobre os primeiros discos da banda, a decisão pelo ‘Siamese Dream’ soa inquestionável.. Baixei os 2.
Escuto “Today” um dos hits do ‘Siamese Dream’, adoro! Inclusive o vídeo. Aí surge uma dúvida, porque dessa letra tão feliz? O que levou o cara que me lembrava abóboras escrever coisas como:
“Today is the greatest
Day I’ve ever known
Can’t wait for tomorrow
I might not have that long
I’ll tear my heart out
Before I get out

Pink ribbon scars
That never forget
I tried so hard
To cleanse these regrets
My angel wings
Were bruised and restrained
My belly stings”

Gostei da música, é confortável. Descubro o porque da ‘alegria’ contida nela. Billy estava fodido, na merda mesmo. Morava no sótão da D’arci (baixista), ela tinha terminado com ele e chutado ele de lá, a banda tava uma merda (começo de carreira). Então ele tenta se enforcar, mas com os 192 centímetros foi difícil conseguir, ele sai só machucado e caminha até a calçada onde escreve esse hit. Então tudo se tornou compreensível, o porque da importância daquele dia.

Enfim, pela violência e devoção do cara esquisito eu me apeguei a banda num tempo ridículo, quase questionável. Hoje foi o meu dia de aprender sobre eles e entender porque essa banda é tão importante pra muita gente que eu julgo entender do assunto ok

Eu sei que sou iniciante na coisa, muita gente sabe mais que eu ou vê as coisas de outro jeito. Nao importa, chegou na hora certa. Pra finalizar, deixo aqui o link do blog do Billy, o meu ‘cara esquisito’ pra sempre ok (L) talvez seja demais pra alguns de vocês ou pra mim. Já tive umas explicações particulares e discussões interessantes sobre certas idéias citadas aí. O foda é que vocês julgam demais e se chegarem a julgar o billy, eu vou odiar vocês.

http://www.everythingfromheretothere.com/ – Se divirtam, monstrinhos. :*

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milímetros,

11/05/2009 · 1 Comentário

Corto a gengiva. Entre dentadas e arranhões não é fácil sair livre. Ainda mais quando não se precisa dedicar a mais nada. (Orgasmo.) Mastiguei com gosto aquela metade derretida de bala de café, cooffee (palavrinha linda, oun!), no canto da boca. Minha língua viajava naquele pedaço de vida, roçando nele todo antes de sugar com toda a força. O papel da bala todo cortado, sofrendo se soltando dos meus dedos.

Até que eu sento aqui, postura correta, litrinho de água do meu lado, a minha mais nova música da vida (lá embaixo, hihi) e me sinto protegida. A temperatura das minhas pernas é a mesma no meu coração, respiração e velocidade. Nada no mundo precisava estar diferente. E olha que eu custo a dizer isso, falei-o umas 3 ou 4 vezes no máximo durante toda a vida. Já tive a palavra muito solta, distorcida.. Mas agora, hoje?! Hoje eu suspiro e sinto meus pulmões inflarem com esse calor gostoso entrando pelos poros. Eu me sinto correta, segura com um manual de instruções pra vida dentro de mim.

Pode soar pedante, pode soar longo ou entorpecente. Essa música invade meus medos e me traz um meio sorriso á boca. Coço o nariz e sinto o dedo em minha boca. boca gorda. Sabe do que eu precisava? Saber como é fechar os olhos inteiramente ou tentar lembrar como se reza. Era não ter medo de pedir, uma mão, uma ajuda. Seila meu, que alguma coisa caísse do céu e botasse sua bunda gorda pra foder.

É impressionante, como eu tinha tanta coisa entalada, sem conseguir escrever. Expressar, ou pesar. Hoje eu descobri tanta coisa. E não paro pra pensar em algumas, já tirei de letra. Não consigo formar certas frases dentro dessa cabeça suja. Que me maltrata. Aprendi a temer, a mim mesma. E aprendi a guardar tudo isso que eu temo lá dentro, bem trancadinho. Pra começar a sentir coisas fielmente, intensamente.

E eu não to bêbada ou glorificada aqui. Eu sou uma pseudo-garota-metidinha-a-funcionar. Eu não sou do tamanho que você vê, eu nunca fui tua de verdade ou te dei o que me tem mais valor. Eu guardo em mim, meus pequenos desejos, o gosto doce na boca. O toque leve, das minhas coxas ainda quentinhas saindo do chuveiro. O meu prazer e o meu sorriso pequeno e sincero. Aquele que acelera o coração, que treme as pernas. (É isso mesmo! Como se a Angelina Jolie passasse agora na tua frente e você age como um bobão.) Você se satisfaz, se renova. Descobre milímetros cobertos em você, vê o quanto é bom se sentir asssim. E porra, eu to assim.

Eu sou a pessoa que eu queria ser, e eu vou fazer duro pra ser mais. Agora é isso que eu quero. Consideração, coerência e persistência. Eu tenho nas mãos uma oportunidade do inferno, que eu pelaria pra ter. E foi a coisa mais linda, inteira que eu já tive. Uma entrega total, absoluta. Por algo inexplorado dentro de você, finalmente, encontrar todo o necessário e prazeroso pra se tornar aquilo que você quer.

E é por isso, que eu vou tomar banho e dormir. Sem comer. ok :*

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quebra-cabeças

11/04/2009 · Deixe um comentário

Eu que quis recomeçar, não preciso de subterfúgios.

Havia um tempo em que nada mais parecia estar correto, nada dava certo. O curso já não era o mesmo e tudo apontava 180º para caminhos novos, assustadores até. Os seus segredos e esconderijos começam a ruir, não cabe a carapaça cobrir nada mais e os antigos prazeres não atraem mais seus gemidos.
Eu encaro isso bem, é o que eu quero pra mim.. o frio na barriga coerente. Aquele que te faz tremer de vontade e cair de cabeça. Não algo impulsivo, não contar os dias e na hora engolir tudo como uma garfada de comida quente. Eu não quero isso. Eu quero sentir tudo devagar, quero fazer acontecer, quero seguir a minha vida. A minha! Não me importa pra quem você está sorrindo ou o que faz seu coração bater mais forte. Se você me contar, eu não vou embaralhar desonestamente suas palavras como peças de um quebra-cabeças e remontá-lo aleatóriamente conforme a minha vontade, não. Siga a sua vida, só o que eu quero é que um dia tu sinta, como eu, que chegou a hora.
Palavras meio ofensivas, com duplo significado, escritas nas entrelinhas. Seria legal se tudo fosse proposital, se meus dedos não corresem sem pecar por esse teclado. Acabo me identificando em letras soltas, que aperto com força, o coração disparado e os olhos atentos. Numa velocidade terrível e um desabafo violento, eu toco em plástico pra descrever sentimentos, pra tentar guardá-los em algo de possível alcançe.
Eu estou tão segura dentro de mim, meus sorrisos são poucos, eu sei. Porém, todos são sorrisos sinceros ultimamente. Tenho orgulho dos meus feitos, não estou certa se eu tenho domínio pra falar sobre valores e desejos aqui, mas agora eu quero isso. E esse blog é meu, M-E-U. E por isso, tenho o direito de falar sobre o que eu quiser, você goste ou desgoste. Concorde ou não, é claro que todos temos opiniões, mesmo que elas mudem, mesmo que a maioria não saiba como defender o se passa pela caxola. O que faz a diferença é que a calmaria chegou pra mim, eu sei exatamente como agir. E você? Ainda perde tempo brincando de quebra-cabeças? Vai achar o que fazer filho. :*

‘Kiss me out of the bearded barley.
Nightly, beside the green, green grass.
Swing, swing, swing the spinning step.
You wear those shoes and I will wear that dress.’

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inanimar.

11/03/2009 · Deixe um comentário

O reflexo através da janela fechada esboça pessoas chorando. Sempre se abraçando, procurando no que se apoiar. Eles são descrentes, já que esse tecido enorme aveludado na minha frente tem as palavras perfeitas pra elas, focadas numa vida putréfica, não haveriam palavras melhores: “Todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá.” E mostrava o nome de JESUS em caixa alta tomando conta de muito espaço ali. Será que aquilo fazia sentido pra elas? Mesmo com aquelas 4 velas acesas nas pontas do corpo inanimado da garota?
Quande se quer se cego, realmente não se pode ver a ironia nisso tudo. Eu via graça, eu ali chapado olhando fixamente as velas queimando e “dando meus sentimentos” pra uma gente feia que eu nunca vi antes. Essa merda de viver em sociedade.. Eu acho tenso acreditar que todo mundo aqui, merece viver pra chorar por outrem. Eu queria arrancar o coro, de todos aqueles corpos na minha frente. Pessoas de preto, sentindo por alguém que nem ao menos conviviam! A hipocresia tinha um nível ridículo de ação nesse meio.
Se aquela pele branca e seios grandes envoltos por rosas dentro daquela caixa convivesse com essas pessoas que parecem ter um puto carinho por ela, talvez ela tivesse se dado valor. Não é? Pra alguém acabar diluindo seu sangue em lençóis sujos de sexo e sorrindo, sem sentir medo de algum estranho na sua cama, ela não valia muita coisa mais.
O que eu achava mais engraçado ainda? A espera até a morte vir a tona, era a melhor parte. Como tudo aconteceria? Os vizinhos sentiriam aquele cheiro podre ou sentiriam falta dela na empresa? Algum namoradinho tentara abrir a porta e sentiu a violência no cheiro? Acordar, fumar meu beck enquanto tomo banho, comer meu cereal verozmente e assistir aos desenhos animados sem pressa.
Até minha mãe vir correndo da cozinha com o telefone em mãos e uma expressão de terror: – “A filha vizinha foi encontrada com os pulsos cortados encima da cama dela, com o apartamento trancado. Os vizinhos sentiram aquele cheiro podre e arrombaram a porta. Tudo indicaria ser suicídio, se não fosse o estupro evidente.” Eu olho para ela tentando devolver aquela expressão horrível, ela soa desconsertada enquanto procura sua bolsa e blusa. – “Eu vou para o velório, ajudar e prestar meus sentimentos á família. Que tragédia ‘meu deus’!” E sai correndo deixando a porta aberta.
Eu levanto, devagar. Tranco a porta e acendo um cigarro, penso nas palavras e na expressão da minha mãe. Ela viu a filha da vizinha 2 vezes, se viu. E porque todo aquele apego agora? Seria o gosto inconsciente pela tragédia? Talvez. Se diluído com o medo de viver algo igual, ser invadida pelo desejo de outra pessoa em carne e sangue, possivelmente tornava tudo aquilo muito interessante. Uma sede de acompanhar e ver o que “os humanos são capazes de fazer”. Consumir uma vida por sexo, por tesão. Acho que ela nem sabe o que é isso, gozar com vontade, fazer loucuras em prol disso.
Pra mim, aquilo soava ao contrário. Eu não me sentia mal por isso, se ainda estivesse chapado talvez sentisse algum remorso. Me sinto preenchendo de ação vidas sem coerência, as vidas daquelas pessoas, organizando velas e comprando rosas pra pagar por uma vida. É mediocridade viver sem se sentir vivo, acordar pra comprar e cozinhar, parir filhos sem fim e carregá-los de um lado pro outro o tempo todo até eles assumirem as próprias pernas e darem contuidade ao sistema regrado. Todos numa ilusão fantasiosa que teima em disperdiçar passos vazios, sem um rumo prazeroso.
Prazer pra elas, é passear no parque e lamber seus sorvetes inocentemente, com o sol batendo na cara. Prazer pra mim, é conceber vida. É ver aquela pele branca se movendo calmamente, sentir aquele cheiro intenso e ver a boca treinada com sorrisos falsos finalmente sentir o gosto elétrizante do sexo, gargalhando.
Quem vive em prol disso? Dedicando dias sem fim por uma vida sem destino? Eu faço isso, tenho orgulho disso, e ninguém jamais pode saber. Aqui sentada eu sou uma maconheira anti-social e inocente. Minha mãe prepara meu almoço, meu jantar, lava as minhas roupas e insiste em me encher de porcarias embrulhadas pra presente. Nada disso é real! Se eu realmente escolhesse viver assim, eu teria enfiado uma faca em mim sentindo prazer com ela atravessando minhas entranhas sujas enquanto vejo o sangue fluindo pra vocês. Pra vocês sujarem suas bocas me chamando de fraco. Fraqueza é aceitar as condições pra existir, é tratar seus cachorros e passar fome por uma imagem melhor.
Eu não, eu aprendi a conquistar pessoas. O cabelo desajeitado, a falta de medo e sensanção de liberdade, as fazia se entregarem pra mim. Eu faço elas agirem como eu quiser, até lhes dar o ápice. Até impedir que elas se estraguem com dias inválidos. Até tomar suas almas entre pernas abertas. É trazer a tona a vadia escondida por tanto tempo entre os mamilos durinhos.
Vou pra outro beck e outro banho, minha mãe deve estar vindo me buscar. E o ironico disso é que não consigo deixar de sentir desejo naquela garota, ela foi uma das melhores. Ela gemia baixinho no meu ouvido, dançava como se nada no mundo existisse além de mim. Aprendeu a rebolar rapidinho e não parava nunca mais. Evito, mas não consigo. Me toco pensando na vitalidade dela, ela brilhava. Fosse entre 4 paredes, ninguém teve uma entrega tão grande quanto ela. Por isso dos mimos, da boca dedicada. Seja nas mordidas fortes no interior das coxas dela, até a língua bem posicionada esfregando até ela tremer.
Hoje eu vou de preto, chorar pela morte dela. E ouvir o que as pessoas querem que aconteça com o responsável por aquilo, eu sentia tesão nisso. Eu gosto dos alvos próximos, esses com que minha mãe tem contato. Ela acha que eu tenho um gosto extraordinário por velórios, vou em uma média de 3 por mês. E esses dias parei pra fazer uma média.. 2 são de meu feitio.
Nunca senti medo do que eles esperam pra mim, seja lá o que for é melhor do que parar com tudo. Não existe mais essa opção. Eu me tranco no banheiro, daquele velório triste, e brinco até gozar. Por ela, pra ela nunca duvidar que fiz isso por (quase) amor áquela buceta rosada.

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